The Traveling Light é um projeto geopoético de Évora_27— Capital Europeia da Cultura, liderado e curado por Joana Krämer Horta, Diretora Artística do Ponto d’Orvalho, em parceria com o escritor e geopoeta italiano Davide S. Sapienza. Enraizado no montado alentejano, o projeto convida um grupo de jovens entre os 15 e os 20 anos a uma expedição criativa e reflexiva pelo Alentejo, num percurso de descoberta onde paisagem, luz e perceção se tornam matéria de criação. Através de práticas artísticas e de uma relação atenta ao território, os participantes exploram como a paisagem molda identidades, memórias e imaginários coletivos.
Inspirado pelo tema do Vagar de Évora_27, o projeto propõe uma imersão no tempo próprio do montado: observar, caminhar, escutar, conversar, criar. Ao longo de vários meses – entre uma expedição e visitas a projetos locais, laboratórios artísticos mensais e sessões com artistas e especialistas convidados –, estes jovens exploradores desenvolvem um projeto artístico final que será apresentado no Festival Ponto d'Orvalho, em maio de 2027, e numa conferência de encerramento em Évora, em junho de 2027. Os laboratórios artísticos e workshops integram-se na Academia do Vagar de Évora_27 e têm uma dimensão pública, tornando-se momentos de encontro com a comunidade.
És ou vives no Alentejo e tens entre 15 e 20 anos? Queres explorar a paisagem alentejana de forma criativa? Queres fazer parte de um projeto artístico do Évora_27 — Capital Europeia da Cultura?
Estamos à procura de 15 jovens para uma expedição pelo montado alentejano, com quatro laboratórios artísticos e dois workshops com artistas e especialistas locais, nacionais e internacionais.
Ao longo de quase um ano, vais acampar, caminhar, escrever, fotografar, conversar e criar com a paisagem, desenvolvendo o teu próprio trabalho artístico. No final, partilhas esta experiência no Festival Ponto d'Orvalho e numa conferência em Évora em 2027.
Não precisas de experiência em artes, apenas curiosidade e vontade de ver a paisagem com outros olhos. Preenche o formulário até 30 de julho de 2026. A participação é gratuita.
Davide Sapienza é escritor, tradutor e geopoeta, dedicado a explorar o território, a natureza e o caminhar como forma de pensamento. Com raízes no jornalismo musical e na edição, migrou para a narrativa de viagem e a reflexão ambiental em títulos como I Diari di Rubha Hunish (2004) e Il Geopoeta. Avventure nelle terre della percezione (2019). Com as suas "camminate geopoetiche", convida as pessoas a atravessar paisagens físicas e interiores para restaurar uma relação sensível com a terra e as suas narrativas invisíveis.
Davide S. Sapienza
Maja Escher nasceu em 1990 em Santiago do Cacém e vive entre Lisboa e o sudoeste alentejano. A sua prática cruza materiais do lugar — barro, canas, pedras — com adivinhas, ditados e canções, numa tensão entre ciência e espiritualidade. Desde 2016 investiga a chuva e a água, aliando saberes populares ao conhecimento científico em torno de uma "máquina da chuva". O seu trabalho mais recente explora as relações ecológicas e sociais da bacia do Rio Mira, questionando formas de habitar o mundo com outras lógicas e cooperação interespécie.
Maja Escher
Yasmine Ostendorf-Rodriguez
Yasmine Ostendorf-Rodríguez interessa-se pela aplicação de um filtro micológico para a definição de modelos justos de colaboração e (auto)organização. O seu livro Let’s Become Fungal! Mycelium Teachings and the Arts partilha 12 ensinamentos que se baseiam no mundo dos fungos. Yasmine fundou a Green Art Lab Alliance, uma rede de 70 organizações artísticas da Europa, América Latina, Caraíbas e Ásia. A missão desta aliança é promover relações que possam contribuir para a justiça social e ambiental, à semelhança da natureza interconectada do micélio.
Raquel Castro é investigadora, curadora de arte sonora e realizadora. É fundadora e diretora da Associação Sonora, do festival Lisboa Soa e do simpósio internacional Invisible Places. Doutorada em Comunicação e Artes pela Universidade Nova de Lisboa, leciona na Universidade Lusófona e integra o corpo docente do programa europeu de mestrado ReSound. O seu trabalho cruza arte sonora, ecologia, espaço público e práticas de escuta, desenvolvendo projetos de curadoria, investigação e cinema documental. Entre 2023 e 2025 foi Presidente do Conselho Executivo do World Forum for Acoustic Ecology.
Raquel Castro
Domingo Club é uma iniciativa de Maud Bausier e Antoine Jaunard, dupla criativa belga com competências complementares, radicada em Barcelona. A sua formação atravessa o design, a fabricação digital, a eletrónica, a programação e o biohacking, e um interesse comum crescente pela fermentação e o mundo fantástico dos fungos levou-os a fundar o Domingo Club em 2021, com o intuito de responder à crise climática. Desde então, desenham, fermentam, cultivam, observam e partilham, dedicando a sua prática à saúde, às comunidades e ao planeta. No seu trabalho com micélio e microrganismos, encontraram um terreno fértil para conectar alimento, ciência, cultura e regeneração.
Domingo Club
Mirna Bamieh é artista palestiniana que investiga as políticas do desaparecimento e da memória, combinando comida, storytelling e prática artística para fomentar formas de colaboração e resistência cultural. É fundadora da Palestine Hosting Society (2018–em curso), projeto de live art que revive pratos tradicionais palestinianos através de jantares performativos e oficinas. A sua prática expande-se ainda pela fermentação, cerâmica, vídeo e instalações site-specific, convergindo nas séries Sour Things e Bitter Things, onde a transformação dos alimentos funciona como metáfora da resiliência e da continuidade cultural.
Mirna Bamieh